domingo, 19 de outubro de 2014

QUANDO DAR BRANCO NA PROVA


Não há somente uma fórmula de sucesso para aprovações em concursos públicos e provas. Mas em todos os possíveis caminhos para se chegar ao objetivo, o candidato deverá dispor de tranquilidade. Uma preparação rigorosa, horas de estudos diários, práticas de exercício e gastos com material e cursinhos podem ir por água abaixo se, no momento da avaliação, a ansiedade extrapolar e der o famoso "branco".
 
Mas afinal, o que é o temido branco? Psiquiatra, neurocientista e presidente da Associação Brasileira de Hipnose (ASBH), Célia Cortez explica: "Dar um branco é o ato de bloqueio da via de comunicação dos neurônios, que devem ser recrutados para compor um circuito lógico. Resumidamente, é o resultado de uma desordem nas funções de neurotransmissão e modulação do cérebro". A psiquiatra explica que a grande ocorrência desse acontecimento com candidatos na hora da prova para concurso está diretamente relacionada com a pressão e a falta de tranquilidade, muito comum nos milhares de postulantes ao serviço público. "O medo de falhar gera a ansiedade, que todos chamam de nervosismo e é a responsável por este bloqueio", esclarece Célia.
 
O psicólogo e diretor de marketing da ASBH, Anderson Mendonça, lembra que há casos crônicos de branco no momento da realização de um concurso. Sempre que se depara com a prova, a pessoa simplesmente trava, o que na hipnose se chama de "âncora", associando o estado emocional a algumas situações. "Nos casos crônicos, há uma âncora entre o fator traumático (branco) e o ambiente onde ocorreu (prova)", explica. Os casos têm tratamento mas variam de acordo com o grau do problema. "Não existe um tratamento único para todos os casos, e cada indivíduo é influenciado por situações diferentes que podem ser de fácil resolução, ou não, mas todos têm tratamento", diz Anderson.
 
Para Célia Cortez, o acompanhamento de um psicólogo hipnólogo durante a preparação pode ajudar a aumentar os índices de concentração com exercícios de auto-hipnose (ver ao final da matéria). Outras práticas comuns no dia a dia também ajudam. "O descanso e o divertimento entre os períodos de estudo também são importantes; e sobretudo, boas noites de sono, pois sem sono profundo não há boa memorização", completa a psiquiatra, indicando ainda uma boa alimentação, à base de proteína, vitaminas como complexo B, e glicídios, cujo consumo deve ser controlado.

Ela ainda lembra que o consumo de peixe, confirmando a sabedoria popular, é bom para a memória. "De fato, os peixes, principalmente a sardinha, o salmão e o atum, são ricos em fosfatos e ômega 3, ambos importantes para a saúde dos neurônios. Mas há sementes, nozes, amêndoas e castanhas que também apresentam esses nutrientes em doses apreciáveis", aponta Célia. Alguns candidatos fazem uso de remédios para o controle de ansiedade, o que para a psiquiatra só deve ocorrer se houver recomendação e acompanhamento médico. "Os ansiolíticos podem diminuir o nervosismo na hora da prova e ajudar muito no desempenho, mas muito cuidado pois é um medicamento sedativo e, dependendo da dose, pode causar sonolência", alerta.
 
Um dos primeiros passos para o combate à ansiedade que causa o "branco" é o pensamento positivo. Anderson considera vital a exclusão de sentimentos como pessimismo, incapacidade e baixa autoestima. Para ele, é fundamental a confiança no êxito. "Para combater o nervosismo e melhorar a autoconfiança e autoestima, reflita diante das necessidades pessoais de estudar e aprender. Se os primeiros pensamentos não forem os melhores, converta em pensamentos positivos. Torne isso um hábito. Exclua as reprovações anteriores e pense positivo, o dia seguinte sempre será melhor do que o dia anterior", encerra o psicólogo.
 
Exercício de auto-hipnose
  1. Sente-se confortavelmente em uma cadeira e mantenha as costas e os pés bem apoiados. Deixe suas mãos apoiadas sobre as pernas;
     
  2. Feche os olhos e respire profundamente três vezes;
     
  3. Conte mentalmente de dez a um, visualizando os números à medida que faz a contagem, ao mesmo tempo em que se imagina direcionando-se para dentro de seu cérebro;
     
  4. Ao contar um, imagine-se em seu cérebro, observando os bilhões de neurônios capazes de armazenar uma quantidade incontável de informações;
     
  5. Imagine estes neurônios se transformando em arquivos que armazenam organizadamente cada informação estudada para a sua prova do Enem, vestibular ou concurso público;
     
  6. Use sua criatividade e visualize as informações adquiridas sendo armazenadas;
     
  7. Visualizando repita mentalmente a seguinte frase cinco vezes: Eu posso, eu mereço, eu sou capaz e vale a pena. Em seguida se visualize fazendo uma excelente prova e sendo aprovado (observe, ouça e sinta cada emoção positiva relacionada a esta situação);
     
  8. E retorne a atenção para o local em que se encontra contando de 1 a 10.
  9. CAIO BELANDI
  10. FONTE:FOLHA DIRIGIDA